Você não está sozinha!

mulhersozinha

É sabido que a maioria das igrejas evangélicas tem sua membresia composta em grande parte por mulheres. São mulheres consideradas “as colunas da igreja”; aquelas que estão à frente dos círculos de oração, que são responsáveis pela parte de alimentação e também pela área social da igreja. São mulheres casadas, solteiras, viúvas e, nos últimos anos, cresceu também o número de mulheres divorciadas e solteiras com filhos. É sobre essas mulheres que eu gostaria de falar.

Há um tempo, assistindo a uma pregação de uma cantora e pastora, fiquei um pouco preocupada com uma frase que ela usou referindo-se às mulheres que congregam “sozinhas” nas nossas igrejas. Não estou levantando a bandeira do divórcio, mas é preciso tomar muito cuidado para que essa preocupação “exagerada” com a condição de algumas mulheres entre nós, não se reflita como certo tipo de preconceito velado (o preconceito em nosso meio é um tema para ser debatido mais adiante).

Pois bem. De acordo com essa cantora e pastora, a mulher divorciada (ou “mãe solteira”) na igreja, não deveria almejar cargos de destaque ou liderança; não deveria querer ser uma pastora ou ministra da Palavra. No dia em que ouvi aquilo, confesso que fiquei um tanto quanto indignada e cheguei a questionar o que teria motivado aquela “sentença” infeliz. Segundo essa cantora e pastora, as mulheres divorciadas deveriam se contentar com o trabalho nas áreas externas do templo, como por exemplo, lavar o banheiro das igrejas.

Nada contra lavar o banheiro da igreja; acho um trabalho tão importante e digno quanto utilizar o microfone para explanar a Palavra durante 40 ou 50 minutos; e na igreja dessa cantora e pastora, acredito que ela gosta que o banheiro esteja bem limpo e impecável sempre.

No entanto, o apóstolo Paulo fala que o próprio Deus é quem chama e designa de acordo com o propósito de aperfeiçoar os santos para a obra do ministério. “E ele designou alguns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas, e outros para pastores e mestres, com o fim de preparar os santos para a obra do ministério, para que o corpo de Cristo seja edificado” (Efésios 4.11 e 12).

Deus é quem chama, Ele é quem capacita e prepara a cada uma de nós de acordo com o propósito que Ele mesmo já tem estabelecido.

É preciso entender que nem todas as mulheres que estão sozinhas dentro das igrejas ou que educam seus filhos sem a presença do pai, estão nesta condição porque escolheram ou porque acham legal. Então, é necessário tomar cuidado para não agirmos de maneira preconceituosa em relação ao outro só porque a condição do outro não condiz com a nossa realidade.

Muitas vezes, o preconceito está disfarçado de “cuidado” exagerado e deixamos de notar o outro (neste caso específico, a mulher que congrega sozinha), como alguém que também almeja viver em comunhão com Cristo e com a Igreja. Todos fazemos parte de um Corpo e, muitas vezes, alguma parte do Corpo vai parecer inadequado, mas lembre-se de que todos são importantes.

E o mais importante de tudo: quem chama é o Senhor, quem capacita é o Senhor! Portanto, numa igreja onde as pessoas se auto-intitulam bispos, apóstolos, reverendos, missionárias, porque acreditam que o rótulo é mais importante que o chamado, não deixe ninguém dizer que você é menos do que aquilo que Deus lhe chamou para ser!

Sandra Freitas é jornalista e editora do Espaço da Mulher Cristã. Pós-Graduada em Sexualidade Humana pela Universidade Cândido Mendes, ministra palestras para adolescentes, jovens e adultos. Membro da Assembleia de Deus em Cosmos, no Rio de Janeiro.

3 Comments

  • Graça e paz! Belo posicionamento da pastora, sou divorciada e hj sou líder do círculo de oração na ADCA Shekna e antes sofri c preconceito, mas Jesus escolhe e suas promessas são cumpridas.

  • Sempre aprendendo com leituras e reflexões à Luz da Palavra libertadora de Jesus Cristo… tenho lutado contra esses pensamentos advindos de algumas atitudes e olhares no ambiente da sociedade, que de certa forma, é “padronizada” por “acompanhada do marido” ( e até pq, é bíblico…), então, em algum momento, é dos púlpitos, infelizmente, q ouvimos algumas “acepções” e aí eu me pergunto, o q faria Jesus Cristo ouvindo tais coisas??? Eu, 50 anos, mãe de dois filhos, 23 e 19, vítimas, sim, digo, da falta d sabedoria bíblica q é a verdadeira, mtas vezes me incomodo e me retraio diante dos “movimentos festivos” dentro da igreja, Amo a Palavra genuína q liberta, e pra resposta à pergunta ” o q faria Jesus Cristo” eu dobro os joelhos, oro ao Pai e digo tudo o q sinto, sabe, fico q nem menina qd alguém ou alguma coisa machuca e corre a dizer “vou contar tudo para o meu pai” rsrs pois então, graças a Deus por ter a liberdade de ir aos pés de Jesus Cristo, aos pés da Cruz e contar com o Auxiliador, o Espírito Santo Maravilhoso q intercede por nós com gemidos inexprimíveis…q reine a Paz em nossos corações… amei o texto, Deus abençoe!

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