Silmara Moraes: “não me sinto heroína”

silmara1

No último dia 13 de março, o Brasil e o mundo acompanharam estarrecidos o massacre que ocorreu na Escola Estadual Professor Raul Brasil, em Suzano, na Grande São Paulo. Dois jovens, Guilherme Taucci Monteiro e Luiz Henrique de Castro, de 17 e 25 anos, invadiram a escola, por volta das 9 horas e 30 minutos, dispararam contra alunos, funcionários e professores, matando cinco alunos e duas funcionárias. Antes de invadir a escola, a dupla já tinha matado o tio de um deles, em uma loja de automóveis que fica próxima à Raul Brasil. Após o ataque, um dos assassinos matou o comparsa e depois cometeu suicídio.

Durante aqueles minutos de total desespero, a atitude de uma das funcionárias da escola foi o suficiente para evitar uma tragédia ainda maior. Silmara Cristina Silva de Moraes é cozinheira na Escola Estadual Raul Brasil há dez anos. Em entrevista exclusiva ao Espaço da Mulher Cristã, ela falou sobre a tragédia e de como está buscando forças para retornar às suas atividades, assim como os demais funcionários e alunos da escola.

Evangelista na Igreja Evangélica Assembleia de Deus Ministério de Madureira em Vila Solange, Guaianases, cidade localizada a cerca de 13 quilômetros de distância de Suzano, Silmara Moraes tem 49 anos, é casada com o pastor Paulo Fernandes de Moraes, e mãe três filhos. Ao longo do tempo em que trabalha na escola, ela sempre buscou manter um bom relacionamento com todos. “Tenho um bom relacionamento com todos; sempre busquei ser amiga de todos; professores alunos e demais funcionários”.

silmara3

Naquela quarta-feira, 13 de março, a rotina na Escola Estadual Raul Brasil era normal. Silmara estava servindo a merenda e, só se deu conta de que se tratava de um ataque, por conta do barulho dos tiros. “Era o horário do intervalo e eu estava servindo a merenda, quando começamos a ouvir os tiros. Eram muitos tiros…”.

Silmara conta que, naquele momento de pânico, a única coisa que ela pensava era que precisava acolher as crianças. “Eu e minhas amigas, Sandra e Lizete, abrimos a porta maior da cantina para que os alunos pudessem entrar. Conseguimos bloquear a porta e ficamos amparando as crianças”. Segundo ela, “foram aproximadamente, entre 50 e 70 crianças”.

A evangelista relata que, durante aqueles minutos de angústia e pavor, ela teve muito medo e pensou que poderia ser uma das vítimas dos atiradores. “O tempo todo, eu tive muito medo de morrer; mas, eu precisava fazer alguma coisa. Não consigo explicar de onde tirei coragem. Creio que foi Deus que me encorajou”.

silmara2

A atitude de Silmara rendeu homenagens e o reconhecimento nas redes sociais. Chamada de heroína, ela recebeu o título de “Silmara Maravilha”. No entanto, ela diz que não se vê como heroína. “Não me sinto heroína; somente fiz o que uma mãe faria naquela circunstância”.

Duas semanas após o massacre, voltar para a Escola Estadual Professor Raul Brasil ainda está sendo muito difícil. “As imagens ainda estão muito vivas; ainda estamos todos muito abalados. Sempre valorizei a vida; agora, muito mais, sabendo que Deus me permitiu viver um pouco mais. Quero viver o melhor de Deus sempre. Todos nós precisamos aprender a sermos gratos a Deus”.

Por Sandra Freitas
Fotos: Arquivo pessoal

Deixe seu comentário