Ozélia Barboza: “Não deixo um diagnóstico limitar minha vida”

Ozélia Barboza Chrispim tem 43 anos; é casada com o Vanderci Felício dos Santos; mãe da Nathália e avó do João Guilherme e do Arthur Henrique. Atua como diaconisa na Comunidade Evangélica – Ministério Asafe (CEMA), em Campo Grande, no Rio de Janeiro, e trabalha como vigilante.

Em 2009, ela e o marido receberam o diagnóstico de que haviam contraído o vírus HIV. No início, o desespero tomou conta; mas, com o passar do tempo, e com a confiança em Deus, eles superaram juntos as adversidades.

Ozélia transformou os momentos de dor em palavras. Nos últimos anos, ela escreveu dois livros: “Eu sei onde Deus está porque ouço seus passos; e “O patrocinador de sonhos”, que será lançado neste sábado, dia 07, às 14 horas, no estande da PoD Editora, na Bienal Internacional do Livro, no Rio de Janeiro.

Nesta entrevista exclusiva, concedida à jornalista Sandra Freitas, editora do Espaço da Mulher Cristã, ela fala sobre o diagnóstico, o tratamento e de como a fé tem transformado sua vida. Confira!

Em que momento você descobriu que era soropositivo?
Em 2009, após minha filha ter passado por uma cirurgia e nós doarmos sangue (eu e meu esposo). Um mês depois, fomos chamados ao hospital, onde nos deram a notícia de que éramos portadores do vírus HIV.

Como foi sua reação quando recebeu o diagnóstico?
Eu entrei em extremo desespero. No momento, foi como se alguém tivesse enfiado a mão dentro do meu peito e roubado a energia que me fazia viver, minha alegria. Eu estava na época com 33 anos de idade, já era casada; e meu marido também foi diagnosticado no mesmo dia que eu.

Como vocês enfrentaram essa notícia?
No dia, nós nos abraçamos e choramos muito; e a primeira decisão que tomamos, foi que permaneceríamos juntos. Não houve acusações e nem discussões, apenas decidimos cuidar um do outro; e foi o que fizemos. Eu precisei dele, e ele cuidou de mim.

Como foi a reação da família?
Muitas pessoas da minha família se solidarizaram com a minha dor, me abraçaram, choraram comigo, me deram colo, me emprestaram o ombro para chorar; cuidaram de mim. Já outros, espalharam aos quatro ventos a enfermidade que eu tinha e, para muitos, era como se eu fosse uma mulher leprosa. Muitos pararam de frequentar a nossa casa e, se eu tocasse em alguma coisa, é certo que esse objeto seria descartado.


O que passava pela sua cabeça naquele momento?

Apesar de toda aquela turbulência, eu nunca desisti de viver; eu tinha um motivo para não morrer: minha filha. Um dia, eu saí de casa para ir ao médico, eu estava indo para uma consulta. Estava muito fraca; passei mal; perdi a memória e dormi na Rodoviária de Campo Grande (bairro da Zona Oeste do Rio de Janeiro). Naquele momento, eu não sabia nem quem eu era e nem onde estava. Uma confusão mental muito grande, eu só sentia medo, tristeza …

Como você foi resgatada?
Minha mãe passou a noite orando por mim, e, pela manhã, ouviu Deus falar com ela: Ele mandou que ela me procurasse, pois ia me encontrar, naquele mesmo dia. Me encontraram deitada na rua em frente ao camelódromo do bairro. Eu estava doente, desvalida e deitada em um monturo. Meus irmãos me resgataram e me levaram para um hospital.

Ao longo desses anos, como tem sido a sua vida? Como é feito o tratamento?
Ao logo dos anos, tenho aprendido que não tenho que me preocupar com aquilo que não posso controlar. Jesus removeu a causa que me fazia chorar. Quando falo que ele removeu a causa que me fazia chorar, não falo de um vírus. Ele removeu a tristeza, a depressão. Eu venci o meu maior medo, que era o de morrer. A alegria que outrora tinha sido roubada da minha vida foi devolvida, e eu tenho tido uma vida plena em todos os sentidos. Eu nunca mais fiquei doente. Às vezes, trabalho de segunda a segunda e não me fadigo. Sou uma nova mulher; vivo melhor do que antes do diagnóstico. A verdade é que nem me lembro de ter tido um diagnóstico desse. Quando meu interior foi curado, meu corpo entendeu e começou a reagir, e o tratamento começou a fazer efeito. Tudo voltou para o seu devido lugar. Hoje, meus exames e de meu marido estão indetectáveis. O tratamento foi um sucesso total, e, se eu quiser ter mais filhos, já estamos liberados. Visito minha médica uma ou duas vezes por ano só para ela me ver, passar exames de rotina e me desejar boa sorte. Meus médicos nunca vão me liberar, porque para eles essa doença não tem cura. Mas eu não me prendo a diagnóstico, o importante para mim é que eu escolhi viver e ser feliz, não deixo um diagnóstico limitar minha vida e nem minha felicidade. Se eu viver, vivo para Deus; e, se eu morrer, estarei com Deus.


Nos últimos anos, você escreveu dois livros. Como foi essa experiência?

Escrever livros tem sido uma experiência incrível. Eu não sonhei com isso. Um dia, uma mulher de Deus me entregou uma visão, e nessa visão, ela me via assinando muitos papeis como se fosse um livro. Guardei as palavras dela no meu coração, e daí para frente, Deus preparou tudo.

De onde surgiu a inspiração para escrever os livros?
O primeiro surgiu após minha filha ter me dado o livro da pastora Eloísa Martins Ferreira, chamado “Como Conquistar o Impossível”, da mesma editora onde lancei o meu livro. Nesse livro, a pastora conta seu testemunho. Em algum lugar do livro, estava o contato da editora.
Liguei para a editora, que me atendeu muito bem, e um mês depois, lá estava eu começando a escrever minhas experiências de fé e milagres, dando início ao meu primeiro livro: “Eu sei onde Deus está, porque ouço seus passos”.
O segundo livro foi outra experiência muito forte: assinei um contrato para participar da Bienal deste ano, achando que iria participar com o meu primeiro livro, mas me enganei, pois eu tinha que lançar um livro exclusivo para a Bienal. Eu não podia desistir do contrato, então comecei a escrever o segundo livro, que ficou pronto em menos de quatro meses: foi desafiador, senti borboletas no estômago. Dei o título do segundo livro, “O Patrocinador de Sonhos”. E posso falar uma coisa: esse segundo livro, tem sido totalmente patrocinado por Deus.


Como é a sua vida hoje, em família, na igreja…?

Hoje eu posso dizer que tenho uma família feliz. Deus acendeu a chama do amor no nosso lar. Aqui não se ouve mais choro, Deus limpou dos nossos olhos todas as lágrimas e nossos netos enchem nossa casa de muita alegria. Minha vida na igreja tem sido um testemunho de fé e milagres, inspiro muitos homens e mulheres a confiar em Deus, e isso enche meu coração de alegria.

O que você espera para o futuro?
Eu espero que meu testemunho sirva de combustível, que levante os que estão caídos, que leve esperança para quem estiver passando pelo que eu passei. Espero que muitos acreditem que um diagnóstico deste pode não ser o fim, mas o início de uma nova vida.

Que conselhos você deixaria para as mulheres que também enfrentam algum tipo de enfermidade e que perderam a esperança?
Meu conselho é que essas mulheres se lancem no lugar mais alto do mundo, que é aos pés de Jesus. Meu conselho é que creiam contra a esperança mesmo; quando ninguém acreditar em você, continue acreditando; confiando em Jesus. Meu conselho é que orem para Jesus curar o interior, a alma; porque, depois que Jesus curou a minha alma, todo o meu corpo entendeu que eu não era mais uma mulher enferma.

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