O que temos disponível para um milagre?

Uma mulher viúva com sérios problemas financeiros corre em direção ao profeta Eliseu e diz claramente que a sua situação era alarmante: O marido, servo de Deus, havia morrido e deixado uma dívida. O credor queria o pagamento do saldo devedor e caso ela não tivesse como pagar, levaria os dois filhos. Críticas ao credor à parte e observando o contexto podemos afirmar que não era algo tão absurdo assim, pois mostra fielmente o quadro social da época. O profeta ouve tudo e pergunta como poderia ajudar a tal mulher (2 Rs 4.1).

A história que se dá num período em que Israel estava dividido em Reino do Norte e Reino do Sul, com seus respectivos reis e problemas internos, nos é apresentada normalmente com o título de o milagre do azeite. O profeta olha para a mulher e pergunta: O que tens em casa? O que mais poderia fazer se ela mesma já estava sem qualquer perspectiva de vitória? Existem pessoas que no auge do desespero querem encontrar resposta em qualquer lugar, com qualquer pessoa. Isso é um erro. Dependendo do relacionamento que se tem com parentes e amigos, este tipo de atitude pode desencadear outros problemas.  A pessoa que já fragilizada por estar vivenciando um dilema não tem condições de fazer uma análise realista da solução apresentada e pode piorar se for orientada de forma errônea. Mas esta mulher fez diferente, ela pediu socorro para a pessoa certa.

E o profeta persiste em perguntar: O que tens em casa? De imediato ela responde: “Tua serva não tem nada…” (vs 2) Uma resposta breve impregnada de desespero. Acontece conosco também. Tudo vem à mente: Todos os cômodos da casa, a vida pobre, as dificuldades, as diferenças sociais, o desemprego, a enfermidade… E admita: Não vemos absolutamente NADA, além disso!  No contexto social que vivemos não é difícil encontrar pessoas que já perderam toda fé no Sistema, estão carentes, desiludidas, desesperadas. Se confrontadas como algum tipo de argumento logo respondem que não existe mais solução. Não discernem no horizonte aquela “luz no fim do túnel”. Não podemos criticar tais pessoas porque tem momentos que as forças se esvaem. Outras já chegaram ao fundo do poço com o estado emocional em frangalhos. E com aquela viúva não foi diferente. Imagine o desespero dela só em pensar que seus filhos poderiam ser tirados de dentro de casa, arrastados pelas ruelas, levados como escravos…

Mas observe que a pergunta do profeta foi: O que tens em casa? A indagação de Eliseu estabelece conceitos. Casa, não é apenas uma moradia, um lugar para repousar os pés cansados na volta de um dia exaustivo de trabalho. Não. Casa significa o próprio lar. O local onde os filhos são criados, onde laços são fortalecidos, vidas são estruturadas, problemas são resolvidos, ou pelo menos deveria ser. Às vezes, as circunstâncias nos obrigam a olhar para o que está a nossa volta, porque na maioria das ocasiões olhamos para a casa do vizinho, para os bens do amigo, para as vitórias alheias. Alguns se sentem até incomodados com a prosperidade dos outros. Relutam em aceitar que alguém possa ser mais abençoado que ele. Isso acontece na nossa sociedade. É fácil chorar com os que choram, mas rir e compartilhar da alegria se tornou algo desconfortante.

Ao ouvir as palavras do profeta, a mulher refaz mentalmente seu caminho até o lar. Ela olha em volta e não vê nada que se possa aproveitar. Talvez a casa fosse realmente pequena, escura, pobre. Nem você chamaria aquilo de lar!  Não com esta nossa geração consumista sempre insatisfeita e que troca de celular, de roupa, de eletrodoméstico o tempo todo. Não importa ultrapassar o limite do cheque especial desde que se possa adquirir aquilo que não precisamos por um preço que não podemos pagar. Sempre falta alguma coisa em casa.

Interessante que no momento seguinte a pobre viúva se lembra de um pequeno objeto em cima de algum tipo de mesa e responde: “Tua serva não tem nada em casa senão… uma botija de azeite”. Talvez ela realmente não tivesse bens materiais para pagar a dívida, porque já tivesse se desfeito deles em outra ocasião. Mas a botija estava lá, como um símbolo, um alerta, uma alternativa. Uma simples botija. Talvez bem parecida com aquela da casa ao lado e pelo desenrolar da história, deduzimos que nem estivesse tão cheia.

A importância do azeite no contexto social do povo de Israel está registrada nos textos bíblicos: Era misturado com farinha de trigo para fazer pães e bolos (Lv 2.1); um sinal de prosperidade (Dt 7.13); usado para manter o Menorah aceso (Lv 24.1); também para unção de pessoas enfermas (Tg 5.14). Além de impulsionar o mercado financeiro da época, ele era também um símbolo de espiritualidade. Um azeite especial era produzido para ungir reis, profetas e sacerdotes (Ex 30.30; 1 Sm 10.1, 16.13). O salmista chama de óleo precioso (Sl 133.2).

Quando a mulher se lembrou da botija, a impressão que temos é que ela não deu tanto valor assim, porque não tinha a menor ideia do que Deus podia fazer. E não somos tão diferentes assim. Ficamos clamando por uma solução, orando, chorando rios de lágrimas sem ao menos olhar para o que temos em casa, ou em nossa vida. Desprezamos um dom natural porque julgamos que ele seja muito simples. Então, mesmo que alguém olhe pra você e não veja absolutamente nada, o Senhor te vê diferente. O milagre só acontece quando se deixa o plano material para investir no espiritual e Deus sabe em que área da vida se pode avançar e quando os sonhos se tornarão realidade. Ele conhece o potencial de cada um. O conteúdo daquela pequena botija era algo que o profeta iria utilizar para impulsionar o milagre.

Conhecemos o restante da história. O profeta disse à mulher que entrasse em sua casa e a portas fechadas enchesse os muitos vasos que pegou emprestado dos vizinhos. Outra lição espiritual para a vida é guardar segredo sobre aquilo que Deus quer realizar até que o milagre aconteça. Isto não é falta de fé. Existem pessoas tão descrentes, tão derrotistas que conseguem minar a fé e a esperança de outras. Então seja prudente. A multiplicação do azeite dependia da quantidade de vasilhas disponíveis. Uma por vez até que a última estivesse cheia. Este conceito de encher, transbordar, inundar está relacionado à vida espiritual do crente.

 Ampliando nossas considerações podemos afirmar que aquela mulher deixou de ser uma pobre viúva e passou a ser uma empreendedora. Ela soube administrar o valor arrecadado, pagou a dívida e ainda viveu um bom período com os filhos. Existe algo em você que Deus quer usar, não só para abençoar a sua vida, sua família, mas outras pessoas também. Há um milagre esperando para acontecer, então eu te convido a dar uma boa olhada a sua volta.

Marion Vaz é membro da Assembleia de Deus em Cordovil, escritora, bacharel em teologia. Autora de romances e outras obras e mantém o site Point do Escritor.

Comments

2 Comments
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    posted by
    Selma de Sousa Mello
    fev 4, 2016 Reply

    Quero receber informações.

    SELMA

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      posted by
      Sandra Freitas
      fev 5, 2016 Reply

      Que tipo de informações, Selma???

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