O equilíbrio das emoções! (Parte 2)

Ao longo dos séculos, estudiosos do comportamento tentam responder uma questão crucial: é possível controlar o que sentimos?

Alegria ou irritação, medo ou orgulho: os acontecimentos mais banais despertam múltiplas emoções. Elas acompanham cada instante do nosso cotidiano, igualmente como o ar que respiramos. No entanto, empenhamo-nos quase sempre em conter nossos sentimentos ou em mantê-los dentro de limites toleráveis. Assim, quase nenhuma emoção escapa ao crivo da consciência.

Por que, afinal, buscamos controlá-las? Elas não são valiosas demais para serem reprimidas? Afinal, sem o afeto, dificilmente, ajudaríamos outro ser humano ou criaríamos nossos filhos e, sem nos roer de raiva, talvez jamais criássemos coragem para pôr o vizinho no seu devido lugar. Portanto, para quê o esforço de reprimir esses sentimentos?

Como conseguimos conter nossas emoções?

Marco Aurélio(120-180 d.C.), por exemplo escreveu em suas Meditações : “Livre da paixão, a mente humana torna-se mais forte. E, quase 2 mil anos depois, em O mal-estar na civilização, de 1929, Sigmund Freud explicou por que emoções transbordantes seriam inconciliáveis com o convívio social.

Com certeza, elas nem sempre trazem à tona apenas o que há de bom e nós. A raiva pode transfigurar-se em violência; reações fóbicas e depressão, por vezes, conduzem ao suicídio.

Acreditar que temos nossos sentimentos sob controle está longe de significar que isso de fato aconteça. Talvez eles continuem borbulhando sob a superfície da consciência.

Mas a energia própria das nossas emoções precisa de escape – como uma panela de pressão – e acaba se manifestando, por exemplo, sob a forma de perturbações neuróticas ou mesmo físicas.

Carmen Pires é psicóloga, psicopedagoga, consultora em Gestão de Pessoas e membro da Primeira Igreja Batista de Campo Grande (RJ).

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