Mãe neurótica, eu?

Na semana que antecede o Dia das Mães, resolvi brincar um pouquinho com um tipo de mãe onde me enquadro perfeitamente. E está lançado o desafio: Que atire a primeira pedra quem nunca ligou para o filho, ouviu aquela mensagem de telefone desligado ou fora da área de cobertura, e entendeu exatamente desta forma: “#VozDaCaixaPostal#Seu filhinho querido foi sequestrado, está amordaçado e daqui a pouco nós vamos ligar para pedir o resgate…” (rsrs)

Pois é… Eu penso isso todas as vezes que escuto essa mensagem no celular da minha filha… e tenho certeza de que não estou sozinha… conheço outras mães que são assim mesmo… neuróticas!

E não adianta o filho dizer: mãe, eu estava em aula… mãe, o celular descarregou… mãe, o celular não funciona dentro do metrô… Se não consigo falar com a minha filha, sempre acho que aconteceu algo ruim… e não vou nem dizer as outras tragédias que passam pela minha cabeça…

Não sei se isso é privilégio meu, mas tenho a impressão de que os filhos cooperam para que essas neuras de mãe só aumentem… Porque filho, acha que, se está tudo bem, ele não precisa avisar que está tudo bem…  E simplesmente, ignora o nosso sofrimento…

O bom é que quando isso acontece, depois que você descobre que o pimpolho não corre perigo, a gente lembra daquela frase vingativa que todas as mães usam: “Um dia, você vai ter filhos…” Esse é o nosso consolo… Se fôssemos relacionar aqui todas as histórias de mães neuróticas, não teríamos espaço nesse blog…

No ensino médio, minha filha estudava em horário integral, numa cidade vizinha… saía de casa antes das seis da manhã e só voltava em torno das 19 horas… Eu confesso: ligava o dia inteiro… Entre muitas situações de neuras vividas naqueles três anos tem uma que até hoje é motivo de chacota… continuei ligando mesmo depois que ela já estava dentro de casa, mas ainda não tinha me avisado (a gente mora numa casa muito grande).

E pensando nisso, resolvi analisar as histórias de algumas mães da Bíblia e, me desculpem a ousadia (não heresia), elas eram mães “tão normais” quanto qualquer uma de nós.

Ana pediu a Deus um filho e, quando teve esse filho, ofereceu a Deus. Vocês acham que Ana entregou Samuel no templo e nunca mais se preocupou se ele estava se alimentando bem, dormindo bem??? Duvido!!! Mãe que se assume neurótica, ou não, acorda de madrugada só pra ver se o filho está respirando… E eu fico imaginando Ana, coitada… Mas, tudo bem… ela sobreviveu e Samuel se tornou um dos maiores profetas…

Maria, a mãe do Salvador, “perdeu” Jesus no templo e ficou desesperada!!! A Bíblia não vai usar a palavra desesperada para não dar mais incentivo a nós mães… rsrs. Mas, é só ler o contexto em Marcos… e vamos perceber que ela e José ficaram aflitos e preocupados.

Agora a pergunta que não quer calar: Porque os homens não seguem o exemplo de José e não ajudam a dividir essa carga de preocupação? Com certeza todas nós conhecemos uma mãe que não dorme enquanto o filho não chega em casa e um pai, que mora na mesma casa (pode ser esse aí que está do seu lado), que dorme tranquilamente e até ronca tipo terremoto, como se nada tivesse acontecendo…

Mas aí, alguém vai dizer: Sandra, “O anjo do Senhor acampa ao redor dos que o temem e os livra. Você não precisa se preocupar”… Você acha que todas as mães já não sabem disso???  Não adianta ficar repetindo isso para uma mãe… Como diz o famoso dito popular: Mãe é tudo igual! Só muda a identidade ou o número do cartão de membro!!!

Um beijo a todas vocês, pouco ou muito neuróticas!!! Feliz Dia das Mães!!!

Sandra Freitas é jornalista e editora do Espaço da Mulher Cristã. Cursa Pós-Graduação em Sexualidade Humana pela Universidade Cândido Mendes. Membro da Assembleia de Deus em Cosmos, no Rio de Janeiro.

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