Casamento: Cônjuges X Sogros (2º Round)

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Em nosso primeiro artigo, publicado semana passada, (http://espacodamulhercrista.com.br/casamento-conjuges-x-sogros-1o-round/), abordamos um assunto delicado: pais que se dedicam a “zelar” pelo bem estar dos filhos, já casados. Tratamos sobre esse comportamento, que é característico de pais dominadores, destacando o quanto a participação de terceiros é prejudicial para a relação matrimonial.

Óbvio que acreditamos que os pais sempre terão importância e merecerão amor e atenção. E afirmamos que, apesar disso, eles não podem ter governo e autoridade na casa e no relacionamento do casal.

Contudo, nessa oportunidade, trataremos do outro lado dessa moeda: filhos (as), genros e noras abusadores.

Sim, já afirmados que existem pais que são dominadores e por isso querem continuar controlando a vida dos filhos, mesmo quando já são adultos e casados. E sim, esse domínio também é feito em forma de cuidado, favores e ajudas (e em nome do amor).

Mas é claro que existem filhos, genros, noras e netos que adoram essa relação e usufruem dos “benefícios” que esse comportamento inapropriado dos pais pode trazer para as suas vidas.

Estamos nos referindo a casais que querem ter apenas os benefícios da vida adulta e da independência, mas não querem e/ou não sabem lidar com o ônus da mesma.

Por exemplo, querem casar, mas continuar morando com os pais. Querem construir uma família, mas continuam contando com ajuda financeira dos pais, ao invés de se submeterem a uma rotina mais simples e com menos conforto, que caiba em seu orçamento.

São filhos, genros e noras que usam seus sogros e pais para financiarem o sustento dos seus filhos. São casais que mesmo morando em casas diferentes, que podem ser próximas ou não, têm coragem de contar com os pais/sogros para cuidar das tarefas domésticas.

São famílias que contam com a renda (salário/aposentadoria/pensão/cartão de crédito) de outra pessoa para fazer as compras de mercado ou para pagar a escola ou plano de saúde dos seus filhos!

São filhos, genros e noras que usam o CPF dos pais e dos sogros para abrir crédito, pegar empréstimos e comprar móveis e eletrodomésticos.

Isso está errado.

Também está errado explorar os pais e os sogros emocionalmente. Isso também é feito quando o casal sempre corre até a eles para levarem seus problemas pedindo ajuda e transferindo para eles a responsabilidade da solução. Ou ainda quando os netos são entregues para morar com os avós, delegando assim para os pais e sogros a responsabilidade de educar e criar a criança. Tudo isso são exemplos de explorações.

Mas há ainda outras formas de abusos. Alguns pais e mães precisam de cuidados especiais, acompanhamento, tratamentos médicos, apoio emocional, especialmente quando são muito idosos ou não possuem boa saúde. E SIM, é responsabilidade dos filhos cuidarem dos seus pais nessa fase. E é uma falta de respeito e desumanidade quando a nora ou o genro (ou o próprio filho) não aceitam isso.

Pessoas são geradas e criadas por outras pessoas. E a não ser que seu marido/esposa seja órfão ele tem pais e um dia, mais cedo ou mais tarde, terá que cuidar deles. E isso vai comprometer o tempo, o orçamento familiar, a rotina, os passeios, etc.

Nenhum casal pode querer viver como uma ilha. Todas as famílias possuem uma rede familiar, como uma constelação (cada estrela compõe uma constelação). De maneira que se por uma lado é preciso haver um grau de independência do casal, por outro não pode haver isolamento familiar. E muito menos abandono dos pais, pois o zelo e a honra aos pais é um principio estabelecido por Deus que carrega consigo uma promessa de benção e de vida!

Para encerrar, queremos apontar algumas opções de caminhos e atitudes que o casal que se encontra nessa posição, de dependência abusiva dos pais e sogros, poderão adotar a fim de se desenvolverem como família.

Primeiramente, entenda que sua situação pode ser confortável, mas não é correta. (Ainda que seus sogros ou pais não reclamem.) Compreenda que você tem condições de ser independente.

Compreenda que é preciso romper com a dependência abusiva e que isso trará bons resultados para todos. Porque as ajudas financeiras e o apoio emocional excessivo, assim como a participação desmedida dos avós na criação dos filhos, geram desgastes emocionais enormes que, a longo prazo, acabam corroendo as relações.

Em seguida, reveja seu orçamento e faça um planejamento financeiro de curto e médio prazo para viver dentro da sua renda real, e não mais contando com a renda de terceiros. Seja grato por toda ajuda que recebeu, porém torne a ajuda desnecessária.

Considere que vocês precisaram cuidar e amparar os pais e os sogros nos momentos de vulnerabilidade da velhice. Compreenda que a forma como vocês tratam eles agora é uma semente que dará frutos quando vocês estiverem na mesma condição de idade e de saúde.

Atente que a vida é passageira. E por isso é preciso viver bem dia a dia, de forma proveitosa, edificando os relacionamentos de maneira amorosa e saudável.

Flavianne Vaz é Bacharel em História (UGF) e Teologia (FTSA). É membro da Assembléia de Deus – Ministério Crescer (RJ). Atua como historiadora no Centro de Estudos do Movimento Pentecostal (Cemp/CPAD).

 

 

 

 

 

 

 

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