Casamento: Cônjuges X Sogros (1º Round)

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Gangorra (ou balancé) é um brinquedo muito popular. Diversas pracinhas possuem gangorras para as crianças brincarem. É impossível brincar de gangorra sem uma companhia (pois deve haver uma criança sentada em cada extremidade para que possam se divertir).

O que você acharia se visse a seguinte cena? Um menino e uma menina brincando em uma gangorra. E de repente a mãe desse menino, movida pelas melhores intenções do mundo, resolvesse sentar junto com seu filho na gangorra para apoiá-lo na brincadeira. Seria justo? Seria adequado? Ela realmente estaria ajudando ou estaria estragando a brincadeira? Você acha que a companheira de gangorra deveria aceitar essa situação (pois afinal ela é a mãe dele)? Este tipo de envolvimento seria apropriado?

Penso que o bom senso responde: Não! Porém é exatamente isso que muitos pais e mães fazem ao tentarem ocupar uma posição (inadequada) na casa e no casamento dos seus filhos e filhas. Este artigo tratará dessas relações.

O casamento é uma relação fundamentada em um alto grau de compromisso mútuo e cheia de desafios, que não deixam de existir mesmo que o casal se ame. Ele é carregado complexidades, justamente por envolver pessoas.

Entretanto, a convivência matrimonial pode se tornar ainda mais complicada se houver o intrometimento de outras pessoas. E não nos referimos aqui a filhos, mas a terceiros que se sentem ‘parte da família’.

Para muitos, o conceito de casamento é algo nebuloso. Por incrível que possa parecer algumas pessoas possuem dificuldade de compreender que a aliança matrimonial é estabelecida entre duas pessoas adultas que decidiram formar um novo núcleo familiar. Eles decidiram “deixar” sua família de origem.

Se esse conceito simples fosse ensinado, todo o marido entenderia que sua família é a sua esposa, assim como a mulher compreenderia que sua família é o seu marido (e filhos que ambos possam ter e/ou gerar). Em contrapartida, os membros da família de origem de ambos compreenderiam que se tornaram apenas parentes, apenas isso.

Parece simples, mas na prática não é, porque no Brasil temos uma cultura familiar de dependência emocional e financeira dos pais. Agrega-se a isso a herança cultural de ultra-valorização da mãe, que diversas vezes é posta em um pedestal de perfeição e autoridade eternas, dificultando ainda mais o rompimento necessário que todo o filho e filha devem estabelecer na vida adulta (independente de casar-se ou não).

O resultado de tudo isso são diversos casamentos abalados e/ou deformados pela intromissão dos pais dos cônjuges. Claro que essa intromissão vem travestida de cuidado, preocupação, ajudas, amor, apoio financeiro, aconselhamentos (que nunca foram solicitados), etc.

Os pais são criativos quando têm intenção de manter os filhos sob seu controle, mesmo após o casamento: oferecem casa, ajuda financeira, ajuda com serviços domésticos, comida (marmitas e infindáveis almoços em família), telefonemas para verificar se já chegaram a casa, cartão de crédito e até viagens (com eles, é claro).

Quando a estratégia do ‘cuidado’ falha, também recorrem às chantagens emocionais, fingimentos de doenças, aparente depressão, fofoca com os demais parentes, vitimização, uso da Bíblia (citam muito o 4º mandamento), semeiam intriga, falam mau do cônjuge, etc.

E por que isso acontece? Além da razão cultural que já citamos, podemos apontar o modelo familiar que os pais conheceram e por imaturidade dos filhos. São os filhos que precisam desejar e estabelecer a sua independência, não apenas porque são casados, mas principalmente porque são adultos.

O problema persiste quando os filhos gostam de ser dependentes dos seus pais; quando se acomodam com os cuidados paternais; e quando pensam que esse é um modelo saudável.

E não o é, porque quando um casamento deixa de ser a 2 e passa incluir três, quatro, cinco pessoas, ele está deformado. Na aliança de casamento idealizada por Deus, só há espaço para duas pessoas: o marido e a esposa. A mãe e o pai de qualquer um deles não pode ter espaço, voz, prioridade ou autoridade nessa família. Isso é contrário à natureza do casamento.

E quando essa deformidade já contaminou a relação matrimonial algumas mudanças precisam ser estabelecidas.

Primeiro é preciso mudar a mentalidade. Claro, tanto os pais como o cônjuge são pessoas importantes e amadas. Mas é preciso compreender claramente que eles ocupam posições diferentes. Priorizar o cônjuge não é sinônimo de desonrar os pais. Fazê-lo é honrar a aliança de casamento. Ao passo que o contrário (valorizar mais os pais do que o cônjuge) é quebra de aliança.

Os pais sempre terão importância, amor e atenção. O que eles não podem ter é governo e autoridade na casa e no relacionamento do casal.

O estabelecimento de novos limites é uma segunda medida que precisa ser tomada. Ambos os cônjuges devem se comprometer em limitar o acesso dos seus pais a informações, intimidade e rotina doméstica. E deve manter-se firme mesmo diante dos protestos paternos.

A independência da família de origem precisa ser cultivada dia a dia. É preciso entender que o famoso grito “independência ou morte” é uma sentença verídica para o casamento. A dependência paternal tem levado muitos casamentos à morte. Por isso, é necessário que a nova família se estabeleça emocional e financeiramente, assumindo suas responsabilidades frente aos problemas da vida.

E por último, queremos apontar um hábito saudável que precisa ser desenvolvido entre o casal: a vida a dois. Os momentos íntimos, as brincadeiras a dois, as piadas internas, os segredos, os momentos de prazer, os programas de fim de semana a dois. Em uma palavra: a cumplicidade. Quando há cumplicidade, há parceria, amizade, respeito, valorização. E isso é essencial para a construção de um casamento saudável e duradouro.

Flavianne Vaz é Bacharel em História (UGF) e Teologia (FTSA). É membro da Assembléia de Deus – Ministério Crescer (RJ). Atua como historiadora no Centro de Estudos do Movimento Pentecostal (Cemp/CPAD).

1 Comment

  • Concordo plenamente com tudo pois passei por um processo em que minha sogra queria se meter na educação da minha vida então começou uma guerra mais conversei com meu marido e estabeleci uma regra caso isso iria acabar com o nosso casamento

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