Anna Nascimento: “Ser mãe da Esther, mudou a minha vida!”

Ela é carioca, tem 28 anos, trabalha como autônoma e é membro da Assembleia de Deus em Monte Sinai, no Rio de Janeiro.

Em 23 de julho de 2015, Anna Paula Nascimento foi submetida a uma cirurgia plástica e, de acordo com os procedimentos normais para a realização de uma cirurgia, fez uma bateria de exames. Todos os exames, inclusive o de gravidez (que deu negativo), constataram que estava tudo bem com ela.

Ela estava pronta para passar pela cirurgia, mas não imaginava que ali começaria o seu pesadelo. “Após a cirurgia, comecei ter várias complicações. Voltava constantemente para a emergência do hospital, fiz vários exames como ultrassom, raio x, tomografias, ressonâncias; passei por vários especialistas, dentre eles, cardiologista, hematologista, endocrinologista, gastro, mas ninguém descobria o que eu tinha. Numa dessas idas ao hospital, fui internada com a pressão 7×4”, explica Anna Paula.

Ela conta que, a partir dali o desespero da família só aumentava. Até que no dia 27 de outubro de 2015, ela foi acompanhar a mãe a uma consulta na ginecologista e aproveitou para fazer o exame preventivo. “E para minha surpresa (na verdade foi um grande desespero), ao entrar na sala da médica, ela me olhou e disse: ´Anna, você veio fazer o pré natal só agora?´. Eu respondi: ´Impossível, doutora! Estou com todos os exames em mãos, fiz uma cirurgia e estou com minha regra em dia… Na verdade, doutora, eu estou morrendo e a senhora fala isso pra mim?´.

A médica então disse que não estava brincando, e que, se não era gravidez, era um mioma muito grande. “Então vamos ouvir o coração do seu mioma”, disse a doutora Suely Camargo.

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Anna Paula conta que, naquele momento ouviu a pior e a melhor notícia da sua vida. “Eu seria mãe! Como assim? Eu era estéril! A mesma médica que nos meus 17 anos me deu a notícia de que eu era estéril, dez anos depois deu a notícia do meu milagre. Eu estava na 26ª semana de gestação. Como? Não tinha barriga, não tinha nenhum indício de gravidez… E em nenhum exame apareceu? Onde essa criança estava escondida? Foi um desespero total… Eu não queria, mas ao mesmo tempo era a realização do meu sonho… Chorei, fiquei feliz, senti medo, entrei em pânico, me senti decepcionada comigo mesma… Foi uma mistura de emoções que eu não saberia descrever”, relembra Anna.

No dia seguinte àquele trauma todo, Anna Paula foi fazer o exame de ultrassom. Foi quando no meio do caminho, ela ouviu uma voz que falava ao seu coração: ´É uma menina​ e vai se chamar Esther. “Acredito que o Espírito Santo falou ao meu coração. Eu nunca pensei nesse nome como opção de nome para uma suposta filha. Na verdade, eu nunca me imaginei como mãe. Fiz vários exames e descobri que estava quase abortando. Minha filha estava sem nutrientes e não iria chegar ao sétimo mês, só um milagre…”.

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Corrida contra o tempo

A partir daquele momento começou uma corrida contra o tempo para salvar a vida da pequena Esther, com muita oração e cuidados da médica e da família que esteve sempre presente. “Minha gestação era de risco. A Esther era muito fraquinha e, a cada graminha de peso que ela ganhava, era motivo de alegria. Graças a Deus conseguimos segurar a Esther até os nove meses!”.

No dia 24 de fevereiro de 2016, Anna Paula deu entrada no hospital. Segundo ela, foram momentos de terror. “Via mulheres chegando, tendo seus filhos e indo embora, e eu ali… Aqueles gritos durante a madrugada, me apavoravam”.

Dois dias depois, no dia 26 de fevereiro, Anna Paula começou a ser preparada para o parto humanizado. “Escaldavam meus pés, me deixavam de molho no chuveiro quente. Até que no dia 27, ainda com 1,5 de dilatação, decidiram induzir o parto. E às três horas da manhã do dia 28 de fevereiro, minha bolsa estourou. Fui levada para a sala de parto e aplicaram o soro para aumentar as contrações. Senti muita dor como nunca tinha sentido antes em toda minha vida, porém só cheguei a 8,5 de dilatação e os batimentos da Esther começaram a parar. Às 12h35, me levaram para o centro cirúrgico e, às 12h47, a Esther nasceu”, conta emocionada a mamãe Anna Paula.

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Após o parto, Anna Paula conta que via as outras mães andando nos corredores do hospital, pegando seus bebês e dando banho, e ela estava como se fosse um vegetal em cima da cama. “Eu não entendia o que estava acontecendo comigo, em uma madrugada naquele hospital. Eu estava num estágio como se eu sofresse de ataque epilético. Meu corpo parecia recusar as medicações, e eu só piorava”.

Anna Paula e a bebê ficaram ainda por mais onze dias no hospital, e tiveram alta no dia 6 de março. “Voltamos para casa, mas não conseguia ficar com a bebê, minha mãe fazia tudo. No dia 9 de março, meu avô faleceu e foi mais um choque para a minha família. Eu não pude me despedir do meu avô… Naquele dia, comecei a perceber que algo de muito sério estava acontecendo comigo. Minhas pernas não estavam recebendo os comandos do meu cérebro. Eu estava perdendo o poder sobre elas”.

O retorno ao hospital

Quinze dias após ter tido alta, Anna Paula perdeu os movimentos do quadril e das pernas e precisou ser socorrida com urgência. Ao dar entrada no hospital, foi rapidamente levada para o CTI. “Na verdade, eu não sabia ao certo o que estava acontecendo, eu só chorava! Até então eu desconhecia a Guillain Barré, não sabia da sua gravidade. Fiquei no isolamento dentro do CTI. Estava longe da minha família, longe da minha filha… Filha? Eu nem me despedi dela, nem sabia se iria voltar!”.

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A Síndrome de Guillain-Barré é uma doença autoimune que ocorre quando o sistema imunológico do corpo ataca parte do próprio sistema nervoso por engano. Isso leva à inflamação dos nervos, que provoca fraqueza muscular. E durante aqueles dias em que esteve internada, o quadro de Anna Paula só piorava. “Meu quadro só se agravava. Entrei em depressão, contraí uma infecção gastrointestinal e a mastite (inflamação das glândulas mamárias por não estar amamentando). Nada do que eles faziam estava tendo sucesso. Aqueles dias pareciam não ter fim…”.

Foi ali, naquele leito, dentro do CTI, durante a madrugada, enquanto todos dormiam, que uma coisa diferente aconteceu. Anna Paula conta que viu um médico chegando até seu leito e orando por ela. Naquele dia, ela comecou a ter os movimentos de volta. Depois de vários dias dentro daquele CTI, ela teve alta.

Uma semana depois da alta médica, quando tudo parecia ter terminado, Anna teve que voltar ao hospital por causa da mastite e da infecção. “Mais uma vez internada, mais uma vez longe da minha filha… Tive que operar às pressas a minha mama direita. No dia seguinte à cirurgia, quando o médico voltou para avaliar, ele se espantou ao ver como estava e falou que teria que retirar a mama… Eu não conseguia mais orar, não sabia mais como orar, eu só gemia, cantava louvores em meu pensamento de cura e milagres”.

A cirurgia para a retirada da mama direita foi marcada para dois dias depois. E para surpresa de todos, aquele buraco, do tamanho de uma uva, havia diminuído. “Ficou da finura e largura de uma moeda de 50 centavos. Pelos médicos, eu teria que ficar 40 dias internada para a recuperação completa. Graças a Deus, fui liberada no oitavo dia”.

O cuidado de Deus

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De acordo com Anna Paula, todos aqueles dias em que esteve no hospital serviram para que a família se unisse ainda mais. Ela lembra ainda que foram muitos os irmãos e igrejas que estiveram intercedendo por sua vida. “Vi minha família mais unida do que nunca e também descobri que muitas igrejas, pessoas que eu nem conhecia, estavam orando por mim. E isso me dava forças para lutar pela minha vida. Graças a Deus, hoje estou curada e há quase um ano estou longe do hospital”, testifica Anna.

Hoje, Esther Vitória, “Vitória porque ela é a Vitória que Deus me deu”, tem um ano e dois meses. “Ela é perfeita, inteligente, é muito mais do que eu merecia e imaginava. Meu amor por ela é incondicional! Cada dia que passa, eu aprendo alguma coisa com ela, valorizo cada segundo ao seu lado”.

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Anna Paula e Esther Vitória são a prova do cuidado de Deus. Mãe de primeira viagem, ela nunca imaginou que pudesse passar por todo esse sofrimento, mas tem a convicção de que Deus esteve com elas em todos os momentos. “Eu entreguei a vida, os sonhos, os projetos, o futuro da minha filha nas mãos do Senhor. Sei que Ele tem muito mais do que eu possa imaginar preparado para ela. Ser mãe da Esther mudou a minha vida, mudou a minha história. Hoje, tenho a plena certeza do amor de Deus por mim… Eu sou um milagre!”.

Por Sandra Freitas

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