Água em Vinho – uma experiência marcante

No milagre efetuado por Jesus em Caná da Galileia, encontramos características importantes. Na presente década em que se questionam determinadas conversões, verdades espirituais ou simbólicas, qual o efeito da Palavra de Deus em nossas vidas? Existe algum mérito de se apresentar diante de Deus com o coração sincero e arrependido? Estamos empenhados em moldar nossas vidas observando os padrões especificados na Bíblia?

Caná era apenas um vilarejo e a cena nos vem à mente: Os noivos, os amigos e convidados, familiares e demais pessoas com suas indagações sobre a falta de bebida na festividade. Maria preocupada com a situação vai ao encontro de Jesus para dar a notícia. Ao ler o texto entendemos que Jesus era apenas um convidado. Por que deveria se importar? Talvez ele quisesse apenas ficar conversando com seus discípulos sem qualquer intenção de interferir. Mas quando a situação se tornou crítica, ele repensou sua atitude achando um momento propício para uma lição espiritual.

Na opinião de muitos, “tudo é possível ao que crer”, até mudar da água para o vinho. Talvez João tenha feito o relato para mostrar a importância dos primeiros eventos do Mestre ou porque há regras para tal transformação. Porque ao anunciar aos servos que água deveria ser levada ao mestre-sala (Jo 2), e depois distribuída entre os convidados, Jesus condiciona a realização de um milagre à obediência. Sim – Obediência. Este é o primeiro passo para manter a Graça de Deus. Assim, o que aconteceu em Caná serve de exemplo e fortalece propósitos para quem quer servir a Deus.

Segundo o texto bíblico os servos não fizeram objeções ao pedido de Jesus.  Eles simplesmente obedeceram às ordens mesmo que parecesse inapropriada. Imagine encher várias talhas de água e depois servir como se fosse bebida? Imagino que hoje em dia, Jesus teria sérios problemas para convencer o homem moderno de que tudo daria certo.  Estamos tão obcecados pela lógica, pela realidade dos fatos, pela coerência que simplesmente daríamos as costas para Jesus e nem em pensamento faríamos isso. O amado leitor pode arrazoar em seu coração que obedecer nem sempre é fácil, mas aqueles servos não contestaram. Eles fizeram exatamente o que Jesus ordenou. E diz o texto que enquanto eles caminhavam para a sala, a água se transformou. Ao provarem o vinho, os mestres chamaram o noivo e fizeram elogios.

Que experiência marcante ver a água se transformar em vinho bem diante dos olhos! Jesus não precisou tocar na água, orar pelas talhas, não invocou a Deus. Não. Os servos apenas obedeceram à primeira ordem: Encher  e  levar. Realmente não estamos acostumados a estas facilidades! Para alguns, a fé precisa de ajuda externa, orações longas, muito barulho e movimento. Para outros, curas e milagres acontecem esporadicamente, como se fossem “efeitos especiais” numa reunião, quando o texto bíblico é tão simples: “aos que creem no meu nome…”

Mas aqui o milagre aconteceu mediante a obediência, não de um, mas de todos os servos. Podemos dizer que foi um trabalho em equipe. Encontramos no texto bíblico Jesus operando curas, milagres, multiplicando alimento e sem dúvida, cada acontecimento teve o seu cumprimento mediante a fé, a obediência, o temor, mas principalmente por causa da compaixão de Jesus pelo povo. Hoje em dia não é diferente. Existem aqueles que precisam de ajuda? Concordo. Pessoas que, assim como os discípulos, desejam ter a fé acrescentada e quem pode avaliar os sentimentos se não o Senhor nosso Deus? E quantos estão carentes e precisam ver milagres acontecerem em suas vidas? O Senhor Jesus não mudou. Ele continua agindo em cada coração, em cada problema, em cada família por causa do seu amor e da sua misericórdia para conosco.

Analisando a Palavra de Deus vamos descobrir outros milagres que estão relacionados à fé: A cura da mulher do fluxo de sangue (Mt 9.21), o paralítico de Cafarnaum que tinha quatro amigos (Mc 2.5), a cura do servo do Centurião (Lc 7.7). Por bondade e misericórdia Jesus ressuscitou o filho da viúva na cidade de Naim (Lc 7.13).  Alguém pode obter uma benção por causa da perseverança, da insistência, como aconteceu com a mulher Cananeia (Mt 15.23). Mas outros milagres estão condicionados à obediência: O cego que lavou o rosto no tanque de Siloé (Jo 9.7); voltar para o mar depois de uma noite inteira de trabalho perdido (Lc 5.5), apenas em obediência à voz do seu Mestre rendeu a Pedro uma boa pescaria.

Após suplicarem a cura, os dez leprosos receberam uma palavra de Jesus para que fossem aos sacerdotes (Lc 17.14). O Senhor não deu uma ordem de cura, estendeu os braços, tocou-os ou fez qualquer outro movimento que desse entender que estava curando-os. O texto afirma que indo eles pelo caminho perceberam a mudança na pele, tanto que um deles voltou para agradecer. Mas se todo o entendimento referente ao milagre perde-se no fato de apenas um deles ter voltado para agradecer, depende da interpretação daqueles que se esquecem dos nove leprosos obedientes, para sustentar o conceito de apenas uma pessoa agradecida.

 Aqueles servos em Caná foram testemunhas de que nas talhas puseram apenas água (Jo 2.7). Então concluímos que há uma necessidade básica para essa transformação na vida do homem. Deixar de ser “água” para se tornar algo mais excelente. Mas lembremos de que muitos milagres só acontecem mediante a fé. Não apenas o simples fato de obedecer, mas também de crer, de se ter fé suficiente para não questionar, não duvidar, não se deixar debilitar pelo inexplicável. O resultado dessa transformação pode gerar polêmica? Sim. Mas pode desencadear uma série de outros milagres a serem repartidos assim como em Caná da Galileia, cujo vinho mais excelente alegrou o coração de todos os convidados, a excelência pode ser valorizada, anunciada e servir de exemplos a outros.

Marion Vaz é membro da Assembleia de Deus em Cordovil, escritora, bacharel em teologia. Autora de romances e outras obras e administra o site Point do Escritor.

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