Adriana Bastos: fé inabalável mesmo em meio à dor

A história da família da Adriana Bastos começa no final de 2001. Ela é casada, tem 41 anos, dona de casa, membro da Igreja de Deus no Guará, em Brasília, e mãe de duas filhas (na foto, a filha mais nova, Ana Cláudia, e o esposo, Cláudio).

Quando Adriana começou a contar seu testemunho, algo que ela disse, foi muito marcante. “Quero falar do meu testemunho visando edificar a sua vida espiritual. Vejo muitos testemunhos de pessoas que passaram por momentos difíceis e no final conseguiram a vitória. Mas, não vejo o mesmo entusiasmo de testemunho quando no final não conseguiram, pela visão humana, a vitória”.

No final de 2001, a filha mais velha, Tereza Cristina, então com cinco anos, começou a ter febres que não paravam. Adriana e o marido chegaram a levar a filha a uns 30 médicos diferentes e nenhum deles conseguia apresentar um diagnóstico correto, ou prescrever a medicação adequada que eliminasse a febre e a dor que a menina sentia. “Ouvimos de um médico que minha filha estava com manha. Respondi ao doutor que não acreditava que uma criança, muito amada pelos pais, precisaria acordar de madrugada para chamar atenção”.

O diagnóstico

Em meio àquela busca pelo diagnóstico, Deus usou uma irmã dizendo que iria tirar a cegueira dos médicos e a enfermidade da pequena Tereza Cristina seria descoberta. “E foi o que aconteceu. Levamos nossa filha   para uma nova consulta, com outra médica, indicada por amigos e graças ao nosso Senhor Jesus, ela simplesmente comparou os exames anteriores, pegou o telefone, ligou para outra médica e disse que tinha em seu consultório uma criança com suspeita de LLA (Leucemia linfática aguda). Não sabíamos o que era, mas não parecia ser nada bom. Tivemos que levá-la para o hospital de Base onde foi feito um exame de pulsão da medula óssea e foi constatado que ela estava realmente com a doença, câncer no sangue”.

Naquele momento de descoberta do diagnóstico e dor, Adriana conta que, muitas vezes, fez os mesmos questionamentos que todas nós fazemos. “Existem coisas que acontecem na vida da gente que não acreditamos e você fica sem entender o motivo de você estar vivendo aquela situação. E se pergunta o que eu fiz para merecer esse castigo?”, ela afirma, reiterando que, mesmo não entendendo, “continuamos com a nossa fé incondicional”.

Fé em meio à dor

Durante o período do tratamento da filha, ela e o esposo viraram missionários dentro do hospital. Segundo Adriana, o que Senhor fez naqueles dias, foi tremendo! “Minha fé era tanta que eu e meu esposo viramos os missionários daquele hospital. Orávamos e pregávamos com muita fé nos quartos e nos corredores daquele hospital, ganhávamos muitas almas e até crianças eram curadas com a nossa oração, em nome de Jesus”.

O tratamento foi passando e, faltando dois meses para o fim, a menina teve uma recaída. Foi no dia 11 de setembro de 2002. “Agora, teríamos que iniciar tudo de novo e ainda procurar um doador, fazer uma coleta de sangue para ver na família quem poderia ser o doador. Fomos para Curitiba para fazer a preparação para o transplante da medula óssea e voltamos para Brasília, era uma luta contra o tempo”.

A médica que acompanhava a menina achou necessário aplicar nela um coquetel de quimioterapia, mediante a aprovação dos pais. O medicamento já havia sido pedido e a equipe estava aguardando para iniciar a quimioterapia. “Foi um dos dias mais terríveis que passamos, por que a vida da nossa filha dependia da nossa decisão. Naquela noite, não dormimos e meu marido continuava de joelhos esperando a resposta do Senhor”.

No dia seguinte, a notícia de que o remédio não havia chegado de São Paulo, foi a resposta da oração de Adriana e do marido. Eles foram chamados na sala de reunião com os médicos que explicaram a situação, alguns choraram e falaram que, se Tereza Cristina chegasse ao hospital precisando ser entubada, que eles não iriam fazer a intervenção, deixariam ela partir. “Não é fácil ouvir isso dos médicos, mas saímos de lá confiantes de que o Senhor iria nos ajudar”,

Adriana conta que, teve um momento, em que uma das médicas ofereceu para que o casal levasse a filha a um curandeiro. “Agradecemos e falamos que éramos evangélicos. E saímos de lá decididos que, se fosse perder nossa filha, ´perderíamos´ para o Senhor Jesus e não procuraríamos esse tipo de coisa”.

Essa fase também foi de muitas dificuldades financeiras para o casal. Eles contam que, em muitos momentos não tinham o dinheiro nem mesmo para comprar os medicamentos. “Estávamos vivendo de doação de cestas básicas, mas não faltava nada. Ao contrário, até distribuímos alimento para não estragar”.

O momento da separação

Nesses momentos de dor, Adriana e o marido perceberam o quanto a filha era especial e convicta de sua fé. “Quando estava com dor, ela pedia para eu cantar hinos da harpa”.   Segundo Adriana, ela e o marido chegaram a levar a menina a algumas igrejas em busca de oração e cura da pequena Tereza, mas a resposta não veio como eles esperavam.

E então chegou o pior dia da vida daquela família, 30 de dezembro de 2002… “Minha filha faleceu. Ela tinha 7 anos e 4 meses e estávamos em Alexânia, em Goiás, e  tivemos que trazê-la, já sem vida, dentro do carro, até a nossa casa. Ligamos para a médica dela e contamos o acontecido. Ela deu o atestado de óbito para o sepultamento. Eu mesma arrumei ela morta na sua cama, troquei suas roupinhas e a vesti para o sepultamento. Minha mãe também ajudou mas, a maior parte eu mesma quis fazer. O enterro dela teve até músicos da igreja tocando… eu nunca vi algo assim… não pedi nada a ninguém, eles mesmos quiseram tocar… parecia um culto”.

Depois que a menina faleceu, descobriram que a sogra de Adriana era doadora compatível. “Muitas pessoas me perguntam o que eu fiz para superar tanta dor?  Eu simplesmente aceitei a vontade de Deus. Foi fácil? Claro que não.  Mas eu aprendi que o consolador, Ele só pode entrar para tirar suas dores quando você permite que isso aconteça. Temos muitas resistências em aceitar a vontade de Deus na nossa vida, desenhamos em nossa mente uma vida perfeita e quando os traços não parecem com o desenho em você criado, nos frustramos e esquecemos para onde vamos. Sei que aqui é um lugar de preparação para irmos para um lugar perfeito e fincamos nossas raízes nesse mundo como se aqui fosse nossa morada eterna, nos preocupamos em ter um bom trabalho, ensinamos nossos filhos que têm que estudar para conseguir o melhor dessa terra, mas esquecemos de ensinar aos nossos filhos que a nossa morada não será aqui e temos que nos esforçar muito para conseguir chegar lá”.

Adriana afirma que mantém sua fé inabalável, e com a certeza de que um dia irá encontrar com a filha novamente, deixa um recado a todas as nossas leitoras. “Digo a todos que estão passando com algo parecido, ou já passaram, que não é o fim. Somos pessoas marcadas, fomos separados para um processo que somente na eternidade saberemos. Eu me perguntei várias vezes: onde Deus estava?´´. Porque nesses momentos, seus amigos somem, sua família não está por perto, você vive em um deserto que até mesmo Deus se cala. Mas eu acredito que estamos sendo forjados para algo maior. Eu acredito na mensagem da cruz e acredito que todas as nossas dores serão apagadas e que o melhor do Senhor ainda vai chegar. E quando vejo tudo difícil, deixo de ser mãe, deixo de ser esposa e viro serva de Deus. Muitos não entendem quando falo assim. Mas, sabe porque falo assim?  Porque quando deixo de ser mãe ou esposa deixo minha carnalidade calada dentro de mim e busco o sobrenatural do Senhor. Eu busco, não o desespero ou angústia de um dia mal, mas busco Aquele que em tudo se fez sacrifício por mim e por minha família”.

Por Sandra Freitas

Comments

2 Comments
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    Janaína Floro
    nov 7, 2015 Reply

    Lindo testemunho,eu presenciei essa história!!! família firmada na fé.. Deus sempre no comando

  2. Avatar
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    Marilene
    nov 7, 2015 Reply

    É um testemunho muito edificante. Congreguei com a Adriana e minha lembrança é sempre de um lindo sorriso e uma convicção tremenda na Palavra do Senhor.

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