A mulher cristã e a sexualidade

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“Beije-me ele com os beijos da sua boca;
porque melhor é o seu amor do que o vinho” (Cantares 1.2)

Você sabia que a maioria dos casais tem tanta dificuldade em falar sobre o próprio funeral quanto em falar sobre sexo? Para os pastores Gary Smalley e Ted Cunningham, autores do livro “A Linguagem do Sexo”, talvez seja por isso que a Igreja Cristã tenha silenciado há tanto tempo sobre o assunto.

Durante anos, o tema sexualidade foi totalmente proibido no meio cristão evangélico. Dentro das quatro paredes das igrejas, e até mesmo no meio das famílias que fazem parte da membresia das instituições religiosas, falar sobre relacionamento sexual era algo inaceitável.

Ao longo da história da igreja, as mulheres foram ensinadas que seu papel fundamental na sociedade era o de progenitora e responsável pelo lar. Elas aprenderam a ser boas donas de casa e foram preparadas apenas para procriar. Essa era uma forma de repressão que recaía sobre a mulher que, deveria ter no ato sexual, apenas uma forma de reprodução ou de satisfazer os desejos masculinos.

Sabemos que a sexualidade feminina sempre foi reprimida, não importando o meio (social, credo, raça, etc) no qual a mulher está inserida. Mas, no que diz respeito à mulher cristã, essa repressão tende a ser maior, pois não está ligada apenas a um conceito moral, mas sim vista como um pecado imperdoável, passível de punição – tanto divina quanto social, onde ela passa a ser vista como uma pessoa impura.

Infelizmente, em pleno século 21, muitas mulheres em nossas igrejas ainda têm essa visão e acreditam que o prazer sexual é algo restrito aos homens. Por conta desses ensinamentos, e com base nesses tabus e proibições, a mulher cristã deixou de viver a sua sexualidade de maneira natural e plena, se abstendo dos prazeres que o sexo proporciona.

Para pôr um fim a esses dogmas, é necessário desmistificar o sexo e criar, dentro das igrejas, um ambiente propício a debates, questionamentos e conversas. Além disso, as mulheres cristãs evangélicas precisam ter consciência de que o sexo foi algo criado por Deus em sua plenitude, e em toda a sua forma de prazer.

“Seja bendita a sua fonte! Alegre-se com a esposa da sua juventude.
Gazela amorosa, corça graciosa; que os seios de sua esposa sempre o fartem de prazer, e sempre o embriaguem os carinhos dela”. (Provérbios 5.18-19)

É importante ressaltar que, para que haja um debate saudável sobre o tema sexualidade no meio cristão evangélico, é necessário que as igrejas abram espaço para esse diálogo, para que as mulheres possam aprender e entender o valor da sexualidade.

É imprescindível que as igrejas tenham uma visão abrangente do tema, para que não se deixem levar por conceitos, tabus e preconceitos que só tendem a prejudicar o bom relacionamento entre as pessoas, principalmente entre marido e mulher, a quem Deus concedeu a bênção da união conjugal, como algo belo, santo e agradável, não só com a finalidade de procriação, mas como meio de obter um relacionamento estável, rico em alegria e prazer.

E o principal: é preciso que a mulher compreenda que seu corpo foi formulado para o sexo; que ela deve usufruir de todos os seus benefícios; e que pode encontrar na Bíblia a maneira como ela é valorizada por Deus e que também tem o privilégio de ter uma vida sexual plena e satisfatória.

Seja feliz!!!

Sandra Freitas é jornalista e editora do Espaço da Mulher Cristã. Pós-Graduada em Sexualidade Humana pela Universidade Cândido Mendes, ministra palestras para adolescentes, jovens e adultos. Membro da Assembleia de Deus em Cosmos, no Rio de Janeiro.

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