A esperança do “ponto e vírgula” ainda é a Cruz

a Cruz Ponto vírgula

“Não, caros irmãos, não sou ainda tudo quanto deveria ser, porém estou concentrando todas as minhas energias para insistir nesta única coisa: esquecendo o passado e aguardando esperançoso aquilo que está à frente, esforço-me para chegar ao fim da corrida e receber o prêmio para o qual Deus está nos chamando ao céu, em virtude do que Cristo Jesus fez por nós.”  Fp 3:13,14  (B.Viva)

Milhões de pessoas hoje estão perdendo o sentido da vida, não veem a porta ou saída para os seus mais variados problemas. Isso causa dor e uma aflição tão grande que os pensamentos voam. O que é mais fácil? Colocar um “ponto final” acabando com a dor da existência. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o número de óbitos é significativamente maior que aqueles causados por homicídio: 800 mil por ano, contra 470 mil.

A situação é mais alarmante se considerarmos que no Brasil, dados do Ministério da Saúde revelam que, entre jovens de 15 a 19 anos, o suicídio teve um aumento igual, de 20%, e no mesmo período. Aqui, a decisão de tirar a própria vida já é a quarta causa mais freqüente de morte entre jovens. Muitos sociólogos concordam que o aumento dos índices de suicídios entre adolescentes e jovens deve-se ao fato da ausência de perspectivas, ou melhor, propósitos em diversas áreas da vida.

A geração Y (também chamada geração do milênio, geração da internet) é a que mais sofre, pois é a que busca informações full time, e nesse caso as frustrações são inevitáveis.  Mas por que o suicídio na juventude chegou a esse ponto? Só há uma resposta. O vazio da alma que a humanidade com todo seu conhecimento nunca conseguirá preencher.  Davi, estando em conflito, soube descrever muito bem “A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo; quando entrarei e verei a face de Deus?”  Sl 42:2

Carência, relações familiares conturbadas e decepções amorosas são apenas algumas situações que levam o jovem a isolar-se em depressão e podendo ter pensamentos e atitudes suicidas. Jovens potencialmente cheios de tudo, mas superficiais diante de Deus.  Há nos Estados Unidos o Projeto Semicolon  (Ponto e vírgula em inglês), uma ONG que busca ajudar e orientar pessoas que têm pensamentos suicidas. O projeto também tem orientações específicas para os pais de adolescentes e jovens. Os sobreviventes e ajudados pelo projeto Semicolon tatuam em seus corpos um pequeno ponto e vírgula como um memorial, um símbolo usado quando um autor poderia ter escolhido terminar uma frase, mas optou por não fazer, ele continua

Não quero fazer apologia à tatuagem. Apenas uma reflexão sobre o símbolo em questão. Tenho pensado sobre a “vírgula” e a realidade que nos cerca. Ela representa apenas uma pequena pausa. Nós, como seguidores de Cristo, temos como símbolo de continuidade a Cruz. Ela nos diz quem somos e revela propósitos para nossa existência. Mais que isso, ela aponta nosso destino e nos enche de esperança.

Jovens cristãos da Geração Y têm propósitos destinados ao trabalho, estudos e abundante acesso à informação digital. Mas como ficam as experiências sobrenaturais e o relacionamento pessoal com Deus? Aquelas que determinam o propósito maior para vida? Mais que muita informação, eles precisam ter um relacionamento sincero com Deus.  Precisam ser cheios Dele!

Cabe lembrar que sermos religiosos e lotar templos não nos torna imunes aos problemas e muito menos às doenças psicodepressivas tão comuns em nosso século. Somente quando compreendemos o significado real da cruz podemos libertar-nos desse mal, pois foi ali que a morte teve seu fim.  Ela marca o início de uma jornada cristã, entretanto não devemos ficar olhando inertes para a Cruz, mas caminhar para experiências além dela. O nosso propósito é o Reino de Deus e nosso alvo agora é o céu, não mais a cruz. Ao olhar para o alto, o céu nos diz que a sentença da vida não está em nossas mãos! Por mais que enfrentemos diversos problemas desse mundo vil, ao vislumbrar a grandiosidade do céu, por si só, revela o fôlego de vida pertencente àquele que nos deu: o autor da criação.

Nós, como a Igreja temos que fazer algo! Cristo é suficientemente perfeito e capaz para completar toda carência e ausência de nossa existência, Ele deve conduzir os nossos pensamentos, palavras e ações. Precisamos conscientizar a todos, mas principalmente a nova geração de que nossas existências podem até em algum momento passar por um “ponto e vírgula”, mas lembrar que há uma Cruz e ela aponta para o céu. Ela nos diz que temos uma missão e direção dada pelo Pai e só a Ele compete o momento e a hora do “ponto final”!

Jesus Cristo, após a cruz, nos deixa mensagem de esperança para esses dias “Eu disse essas coisas para que em mim vocês tenham paz. Neste mundo vocês terão aflições; contudo, tenham ânimo! Eu venci o mundo”.  João 16:33

Simone Maia é Bacharel em Pedagogia (UCB) e Teologia (FAECAD), casada, mãe de dois filhos (14 e 19), professora de DEBQ/ITQ e obreira credenciada da Igreja do Evangelho Quadrangular do Conjunto Tom Jobim, Bangu – RJ. É responsável pelo blog “Cantinho da Sica Maia”.


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  • “Tenho pensado sobre a “vírgula” e a realidade que nos cerca. Ela representa apenas uma pequena pausa. Nós, como seguidores de Cristo, temos como símbolo de continuidade a Cruz. Ela nos diz quem somos e revela propósitos para nossa existência. Mais que isso, ela aponta nosso destino e nos enche de esperança”. Sábias palavras, professora Simone Maia. Deus te abençoe muitíssimo!

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